Jornal Estadão – Encontro marcado

Encontro marcado
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Encontro marcado – Agências de encontro recebem cada vez mais inscritos à procura de um par. E o perfil dos candidatos mudou

Na busca pelo seu par, muitos solteiros estão adotando uma nova estratégia: a inscrição numa agência de encontros. Foi o que fez, por exemplo, a terapeuta ocupacional Márcia Nunes, de 35 anos. “Trabalho só com mulher, não estou mais na universidade, época propícia para conhecer pessoas, e não quero mais saber de internet nem barzinho”, fala. Na agência A2, Márcia se deparou com vários candidatos. Com um deles namorou, mas a relação não evoluiu. Até que lhe indicaram o geógrafo Alexandre Prestes, de 33 anos. No mesmo dia, marcaram um encontro. Na despedida, pintou o beijo. Depois de 15 meses de namoro, decidiram juntar os trapos e hoje vivem juntos – e muito felizes. Para Alexandre, que teve contato com outras candidatas antes de Márcia, a química entre os dois surgiu desde o primeiro encontro. “Um gostou do jeito do outro”, lembra. “Passei pela fase da farra, mas tem uma hora que cansa. Optei pela agência porque aumenta a probabilidade de encontrar alguém do jeito que se deseja, além de ser mais eficiente e rápido. Não vejo problema em dizer que conheci a Márcia dessa maneira, apesar de muita gente ter preconceito.” Sempre discreta, a Table for Six mantém sua cartela de clientes desde 2001, basicamente apoiada na propaganda boca a boca. Na Agência de Aproximações Artes e Amigos, há fila de espera de três meses para ingressar no programa, com cerca de mil novos associados por ano, segundo a diretora Mara Paiva. A A2 Encontros conta com 9 mil cadastrados nas agências de São Paulo e Campinas, e oferece acesso aos seus serviços em Jundiaí, Santos e Piracicaba, por meio de atendimentos sazonais. Curiosamente, a procura cresce 50% durante o inverno. A proprietária Claudya Toledo dá um palpite: “no frio as pessoas saem menos, e a chance de ficar sozinho é maior.” A Lunch For Two prepara-se para expandir seus negócios para outras cidades, sendo que já está no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em dois anos, o número de clientes subiu 30%, tanto mulheres como homens. O perfil dos inscritos nas agências mudou muito. Antes predominava um público com mais de 40 anos. Hoje, a faixa etária média está entre 30 e 50 anos. O número de mulheres é maior que o de homens: 60% contra 40%. Mas eles estão se rendendo cada vez mais às agências. Tabu São raros aqueles que revelam para familiares e amigos que procuraram um serviço desse tipo. O médico Ricardo (nome fictício), de 49 anos, é divorciado e suas filhas nem imaginam que ele participa das atividades da Agência de Aproximação Artes e Amigos. “Não sei como reagiriam, por isso omito”, explica. “Preciso também me preservar para meus pacientes.” Ele decidiu se inscrever após indicação de um amigo, que não só usufruiu dos serviços como encontrou seu par. Mas confessa que resistiu no começo. O médico já tem seu alvo: uma comerciante de 38 anos. “Não gosto muito dessa cultura de barzinho e sou tímido, tenho dificuldade de chegar numa desconhecida. Nos eventos promovidos pela agência, fica mais fácil porque o ambiente é reservado apenas para o grupo e todos buscam um relacionamento estável, não aventura.” Outro atrativo das agências de encontro é a segurança. As mais idôneas mantêm um processo de triagem: interessados passam por entrevista com psicólogo, após preencherem questionários extensos. Pede-se antecedentes criminais, confirmação de renda, verifica-se se o nome está sujo na praça e por aí vai. “É uma maneira de eliminar quem quer apenas se divertir, os problemáticos e aqueles que fingem ser o que não são”, avisa Ioná Schichter, de 43 anos, da Lunch for Two. Diante de algum empecilho, é comum a agência barrar o ingresso de um candidato, mesmo que tenha os cerca de R$ 3 mil (ou mais) cobrados pelo serviço, que geralmente é oferecido durante um ano. “Uma moça bonita, excessivamente produzida, procurou a minha agência. Queria pagar em dinheiro, provavelmente porque não tinha cheque por estar com nome sujo na praça. Estava na cara que sua intenção era conseguir um marido rico. Não fiz sua inscrição”, conta Mara Paiva, de 50 anos. Na A2 Encontros, apareceu um bonitão que desejava mulheres com renda mensal compatível com a dele, na faixa dos R$ 15 mil. Mas ele não tinha como comprovar a própria renda. Após entrevistas e checagem de informação, as psicólogas perceberam que ele queria, na verdade, uma mulher que o sustentasse. No pente-fino realizado pelas agências, há quem seja barrado por questões emocionais. Na Lunch for Two, apareceu uma mulher recém-separada, louca para encontrar um pretendente. Mas, na realidade, ela não desejava um novo relacionamento, mas sim provocar o ex-marido. É delicado lidar com a expectativa dos candidatos. As inúmeras exigências que são feitas têm dificultado o trabalho dos cupidos, aqueles profissionais encarregados de aproximar os casais. “As mulheres são as mais exigentes. Elas estão mais fortes, independentes, bem-sucedidas… E por causa de um detalhe, descartam o candidato”, fala Claudya Toledo, psicóloga, proprietária da A2 Encontros e autora do livro Manual da Cara Metade – Encontre a Sua e Seja Feliz (Editora Globo). Quem se rende ao inesperado pode se surpreender. Há várias histórias assim. Como a de uma inscrita que não queria saber de careca, mas, no tête-à-tête, ficou gamada por um sujeito sem um fio de cabelo. Entre as agências, há uma regra clara: quando dois candidatos resolvem namorar, devem avisar à central para saírem do sistema. Se não dá certo, basta um aviso para que ambos voltem à luta. Nenhuma agência garante casamento. A função da empresa é apresentar candidatos e tentar acertar ao máximo o perfil dos pretendentes. “Queremos proporcionar encontros charmosos para que pessoas do mesmo nível social se divirtam e possam se conhecer”, explica a diretora de comunicação da Table for Six, Maria da Penha Crispim Miguel, de 46 anos. Pela TV Embora a internet continue sendo o canal mais popular de flerte, a televisão nunca deixou de apostar no formato “namoro na TV”, eternizado por Silvio Santos. O tema é sempre bem-vindo entre os espectadores. Tanto é que a Rede Record tem em sua grade três programas do gênero. No Melhor do Brasil, apresentado por Márcio Garcia, é apresentado o quadro Vai Dar Namoro. “Esse formato mantém a audiência alta, pois relacionamentos amorosos, paquera, foras e encontros, tudo isso tem a ver com a vida de todo mundo, logo, o público se identifica”, conta a diretora do programa, Leonor Correa. O público gosta, mas engatar namoro de verdade em programas desse tipo é raridade. Mais do que conhecer um amor, muita gente quer mesmo é aparecer na televisão. Ou ainda se divertir. Um dos programas mais badalados entre a moçada é o Beija Sapo, apresentado por Daniella Cicarelli. Entre beijos e brincadeiras, o impossível às vezes acontece e sela destinos. A universitária Renata Souza, de 25 anos, foi parar no programa porque três amigos da faculdade a incentivaram. Após fazer a inscrição pela internet, foi chamada cinco meses depois para a entrevista de seleção. Quase desistiu, com medo de “pagar mico”. Lá no palco, acabou sendo a escolhida pelo professor de jiu-jítsu Aldo Almeida, de 27 anos. Depois do beijo entre os pombinhos, que acontece no final do programa, bateu uma “química”. Ele, esperto, deixou o telefone. Ela retornou. Aos poucos, foram se conhecendo e se apaixonaram de verdade. “Nossa relação já dura um ano”, conta Renata. “Estava desencanada, superbem sozinha, até que aconteceu o inesperado. Quando conto que nos conhecemos no programa, ninguém acredita.” Para Aldo, a probabilidade de rolar um namoro era tão pequena que só o destino pode explicar tudo isso. “Até relutei, porque não queria namorar, mas fomos nos gostando e, entre os relacionamentos que já tive, este é especial.” Serviço A2 Encontros (www.a2encontros.com.br): O valor da inscrição varia de R$ 1.500,00 a R$ 5 mil, para contrato válido por um ano e meio. Tel: 5572-1857. Agência de Aproximação Artes e Amigos: Custa R$ 400,00, para um período de três meses. Tel.: 3663-0156. Lunch for Two (www.lunch42.com.br): Preço: R$ 3.480,00, por um ano. Tel.: 3063-3354. Table for Six (www.tableforsix.com.br): Inscrições com validade de um ano custam de R$ 2.400,00 a R$ 3.600,00 (o preço sobe conforme a idade). Tel.: 3044-3889.

Fonte: Agencia Estado

12 Junho 2007 | 05h 38 – Atualizado: 12 Junho 2007 | 05h 38