Constelação Empresarial ou Organizacional

Constelações Empresariais ou Organizacionais

 

Quando falamos de Constelação Sistêmica, automaticamente pensamos nas relações familiares e em seus ajustes para que possamos ter uma vida mais plena e saudável a partir das linhagens anteriores, ou seja, de nossos antepassados.

Mas uma questão muito importante, e que vem ganhando espaço são as constelações de empresas, de bens e de relacionamentos profissionais dentro do ambiente de trabalho.

Bert Hellinger, o criador da Constelação Sistêmica, trabalha com a fenomenologia que se diferencia da abordagem científica tradicional, em especial da construtivista. A fenomenologia pode ser vista  como a descrição filosófica dos fenômenos, em sua natureza aparente ou ilusória, manifestados na experiência dos sentidos humanos. e à consciência imediata ou na abordagem filosófica como a descrição imediata e anterior a qualquer explicação teórica, dos fatos e das ocorrências psíquicas.

Podemos, de certa maneira, datar o início dos trabalhos em Constelação de organizações ou empresas. Em 1995 num congresso em Kufstein, Áustria, Hellinger a pedido de um cliente. usou sua constelação familiar para aconselhá-lo numa questão envolvendo sua empresa. A partir dai houve um grande desenvolvimento metodológico sobre o tema através principalmente do psiquiatra alemão Gunthard Weber, autor de obras e artigos sobe o tema.

 

A imagem acima nos mostra mais claramente como algo pode ser real e realidade ao mesmo tempo de diferentes pontos de vista e todos estão corretos. O Objeto no centro, que é físico e real, recebe a incidência da luz de diferentes ângulos e isso se reflete em diferentes formas de realidade visual, o circulo e o quadrado e se a luz se distanciasse outras formas apareceriam. Todas verdadeiras e relacionadas com um mesmo objeto que constitui realidades visuais diferentes.

De certa maneira a fenomenologia pede que fiquemos com a mente aberta e não presos a hipóteses previamente elaboradas.

Em matéria na Revista Exame, publicada por José Luiz Weiss em: 22/08/2016[1], é relatada a experiência do RH da América Latina da gigante GE (General Eletric), que buscava humanizar as relações com e entre os funcionários da empresa. Segundo Ana Lúcia Caltabiano, VP de RH da GE para América Latina:

Buscar novas possibilidades e explorar o desconhecido está no DNA da GE e na área temos trabalhado em várias frentes, quebrando alguns paradigmas para humanizar mais a empresa. Portanto, experimentar a metodologia das Constelações foi mais uma ousadia que valeu a pena

Ainda segundo a matéria da Revista Exame:

A Constelação Sistêmica é uma dinâmica que foi desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger e tem como objetivo buscar soluções para todo tipo de questão: familiar, pessoal, profissional e, inclusive, organizacional. Hellinger constatou que em todo sistema existe uma dinâmica oculta que influencia seus membros e sua relação com esse sistema. A Constelação traz luz à essa dinâmica, até então oculta, nos permitindo perceber o que não está visível, revelando insights e favorecendo a solução da questão.

No âmbito das organizações, a Constelação pode ser usada para buscar respostas sobre diversas questões e ajudar na tomada de decisões empresariais como, por exemplo, avaliar o impacto de novas estratégias e estruturas, revelar como lançamentos de produtos serão recebidos pelo mercado, identificar dinâmicas de relacionamento entre áreas dentro e fora das empresas, entre outras. Desta forma, o cliente acrescenta perspectivas que vão além da análise cognitiva e incluem outras percepções que contribuem na tomada de decisões e na busca de soluções.

É incrível como a Constelação nos mostra, através do campo morfogenético ou quântico,  como o desenvolvimento individual, da equipe e de todo o sistema empresarial atua para encaminhar a empresa para a falta de motivação ou para a compreensão e percepção dos princípios da organização e de seus sistemas, mostrando uma empresa doente ou saudável. A Empresa é o objeto no centro de nosso entendimento e os “quadrados” ou “círculos” que vemos é a consequência de um foco que adotamos em relação a esse objeto central.

Quando pensamos numa Constelação Sistêmica Empresarial ou Organizacional, percebemos o quanto ela é mais complexa que a constelação familiar. A Consteladora ou Constelador, tem que ter uma experiência prévia com relações empresariais para auxiliar no diagnostico e na cura da empresa. Vejam abaixo uma ideia de quantos aspectos estão envolvidos, indicados no livro Manual de treinamento em Constelações Organizacionais de Jan Jacob Stam  – Instituto Bert Hellinger da Holanda[2]:

Quem pertence ao sistema da organização?

Em organizações o número de elementos possíveis a posicionar é muito mais numeroso que numa constelação familiar:

          • Fundadores
          • Financiadores
          • Acionistas
          • O conselho diretor
          • Gerência
          • Organizações-mãe
          • Chefe de departamentos e seus departamentos
          • Todo o pessoal, individualmente ou em blocos

E algumas vezes:

          • Clientes e fornecedores
          • Aqueles que deram o nome a uma organização
          • Membros da família do dono
          • Conselheiros e consultores

E frequentemente alguns elementos da estrutura:

          • A tarefa ou missão da organização
          • Um produto, um mercado
          • Uma outra organização, um competidor
          • Elementos sobre os quais uma escolha deve ser feita
          • Temas que estão sendo trabalhados na organização
          • As habilidades ou qualidades de uma pessoa
          • Um conceito
          • Um país ou área onde a organização trabalho

Percebemos que a constelação pode auxiliar projetando o surgimento de lideranças sistêmicas e de percepção e ajuste de um fluxo saudável na vida organizacional. A interação entre os princípios combina-se com formas particulares de atender ao ciclo de entrar, pertencer e sair para criar uma oferta única no campo do desenvolvimento organizacional.

Percebemos através das práticas constelatórias, que existem percepções sobre uma arquitetura oculta da organização que está relacionada com as pessoas que ali trabalham, os líderes, os funcionários, as formas de relacionamentos e ao passado sistêmico de cada um e da empresa como um todo.

É possível portanto ajustar essas relações sistêmicas através dos códigos relacionais envolvidos, pois estamos tratando de linhagens sistêmicas dos envolvidos, assim como da própria empresa, que se constitui no tempo como um ente pleno de relações e ocorrências.

Estamos a todo momento trabalhando com energias e seus impactos nas relações do presente. Uma empresa que está buscando uma nova parceria, pode e deve ser constelada. Uma empresa que está mudando de produtos ou sistemas ou donos, pode e deve constelar. Uma empresa que está sendo iniciada em relações familiares, pode e deve constelar.

Nossa abordagem de Constelação Empresarial trabalha desde a liderança, até as diversas fases do desenvolvimento organizacional combinando a filosofia das sete saúdes energéticas, os códigos relacionais e as constelações para iluminar o que está acontecendo e por onde começar os ajustes e a saúde empresarial

Como resultado, a complexidade da vida organizacional contemporânea torna-se clara e as dinâmicas, lealdades e recursos ocultos se revelam; em seu sistema organizacional e todos os outros sistemas de relacionamento com os quais ele interage, permitindo a volta ou o início de um fluxo saudável e próspero.

Bibliografia

  • Stam, Jacob Jam – Manual de treinamento em constelações organizacionais. Instituto Bert Hellinger – Holanda.
  • Weber, Gunthard – CONSTELAÇÕES ORGANIZACIONAIS Questões básicas e situações especiais
  • https://exame.com/blog/gestao-fora-da-caixa/a-outra-ousadia-do-rh-da-ge-constelacoes-organizacionais/

 

 

[1]https://exame.com/blog/gestao-fora-da-caixa/a-outra-ousadia-do-rh-da-ge-constelacoes-organizacionais/

[2] Stam, Jacob Jam – Manual de treinamento em constelações organizacionais. Instituto Bert Hellinger – Holanda.

 

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