A ESFINGE

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Na antiguidade, Deusas e Deuses híbridos, parte animal, parte humana, eram relativamente comuns. Essas Deusas interligavam animais de poder com sua figura humana. Mas uma se destacava das demais: A Esfinge.

Na cultura Etrusca, Grega, Egípcia, Fenícia, Persa, Suméria, Babilônica, entre outras são comuns as imagens de Quimeras e Esfinges que, na maioria das vezes tem o rosto feminino,

Essas divindades são associadas com a proteção de áreas sagradas e servem como aviso a quem se aproxima. O olhar para o horizonte e as patas fincadas no chão, dão às esfinges um ar de nobreza e dignidade, muito longe da ferocidade que o mito sugere. Uma das imagens mais reproduzidas e conhecidas do mundo é da Esfinge de Gizé.

As quimeras e esfinges tem nas tradições orais, em especial após o cristianismo, uma relação com a potência da sexualidade feminina. Da voracidade feminina tão temida pelo patriarcado. Ela se posiciona sobre o ventre, com ele colado na terra.

Sagrada, desde tempos imemoriais e presente em inúmeras culturas antigas, a esfinge nos revela e ao mesmo tempo protege os segredos do sagrado feminino. Deusa alada de força e mistério.

A esfinge está associada normalmente a enigmas. A esfinge grega tem cabeça e seios de mulher, asas de pássaro e corpo e pés de leão. Outros lhe atribuem corpo de cachorro e cauda de serpente. Conta-se que devastava o país de Tebas, propondo enigmas aos homens (pois tinha voz humana) e devorando os que não sabiam resolvê-los.

Diz a tradição que a Édipo, filho de Jocasta, a Esfinge perguntou:

— Que ser tem quatro pés, dois pés ou três pés, e quanto mais tem mais fraco é?

Édipo respondeu que era o homem, que quando criança se arrasta em quatro pés, quando maior anda em dois e na velhice se apoia num bastão. A esfinge, decifrado o enigma, precipitou-se do alto de sua montanha.

No entanto, o escritor Thomas de Quincey, por volta de 1849, sugeriu uma segunda interpretação, que pode complementar a tradicional. O assunto do enigma, segundo De Quincey, é menos o homem genérico que o indivíduo Édipo desamparado e órfão em sua manhã, sozinho na idade viril e apoiado em Antígona na desesperada cega velhice. Lembramos que Édipo nas tradições mata o próprio pai e casa com a mãe Jocasta com quem tem quatro filhos, entre os quais Antígona.

Podemos ver nas constelações sistêmicas, muitas vezes, essa simbologia de Édipo e Jocasta e suas relações com as escolhas que fazemos na vida, presas nos códigos relacionais do passado ancestral.

A Esfinge, vem, portanto, nos indicar a busca do autoconhecimento e da sexualidade, Deusa primordial dos enigmas e do mistério.

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